A técnica de Erickson: Entenda mais sobre a hipnose Ericksoniana, seu criador e efeitos terapêuticos

Entenda mais sobre a hipnose Ericksoniana, seu criador e efeitos terapêuticos. A técnica de Erikson – O pai da hipnose moderna. Conheça a trajetória de Milton H. Erickson e entenda mais a história e o desenvolvimento da hipnose no século XX Por Silvia Sibalde Mais do que lançar novas bases à hipnose, o norte-americano Milton Erickson (1901-1980) mudou o curso da história desta técnica. Seus métodos e instrumentos iam além do ambiente terapêutico. Erickson fez com que o paciente submetido a tratamento com hipnoterapia a levasse para seu cotidiano e assumisse, assim, o compromisso e a responsabilidade por promover mudanças. Outro ponto inovador é que além de rápidas intervenções e bons resultados, a hipnose eriksoniana é também caracterizada por tratar o indivíduo como único.

Psicólogo e psicoterapeuta Erickson teve seu primeiro contato formal com a hipnose aos 21 anos, quando ingressou na faculdade. Mas não foi apenas na universidade que seu conhecimento o moldou. Aos 17 anos, quando contraiu paralisia infantil, utilizou a hipnose para tratar seu próprio caso – neste momento, nascia ali o que mais tarde seria chamado de hipnose ericksoniana. Sem poder movimentar braços ou pernas, ele ficou durante um ano restrito a uma cama e, cerca dez outros anos, preso a uma cadeira de rodas. Foi no intuito de controlar suas fortes dores que Erickson desenvolveu uma concentração mental impressionante, focada na ação terapêutica – tal concentração, por meio da hipnose ericksoniana é empregada até hoje em tratamentos contra dores.

Fascinado pelo comportamento humano, Erickson fundou a Sociedade Americana de Hipnose Clínica e dedicou quase sessenta anos de sua vida ao desenvolvimento de poderosas formas de comunicação que lhe possibilitaram conhecer novas técnicas de compreensão da mente. Tanto fez que ficou conhecido como mestre da hipnose indireta, já que conseguia levar seus pacientes ao transe apenas sugestionando e contando histórias.
Freud x Erickson

Existem diferenças entre as técnicas indutivas da hipnose clássica e da hipnose ericksoniana, também chamada de hipnose moderna. Enquanto a hipnose clássica utiliza-se da comunicação verbal por meio de uma linguagem sugestiva, que se dirige às estruturas conscientes da mente do paciente (que pode aceitar ou não a sugestão), a hipnose moderna utiliza-se também da comunicação não verbal, por meio de atos comunicativos, dirigidos às estruturas inconscientes, analógicas da mente do indivíduo.

Na hipnose desenvolvida por Erickson, a comunicação foi seu objeto de estudo para melhor educar e solucionar os problemas apresentados por seus pacientes. Tal hipnose trabalha diretamente a causa desses problemas. Já a hipnose clássica, utilizada por Freud no início de sua carreira, trabalha os sintomas, não agindo, assim, de forma eletiva na cura da doença.

A hipnose moderna confirma, por meio de inúmeros estudos e pesquisas, que atingir o estado profundo de transe é somente uma das muitas fenomenologias que podem ocorrer. O fato de esta modalidade não exigir que o paciente atinja um estado profundo de transe, permitindo portanto, que ele permaneça em equilíbrio com o ambiente, com o tempo e o espaço, torna o processo muito mais rápido, mais intenso e menos desgastante.

Erickson ficou conhecido como mestre da hipnose indireta, já que conseguia levar seus pacientes ao transe apenas sugestionando e contando histórias.

A hipnose ericksoniana exige do hipnólogo grande observação das chamadas pistas não verbais, como pequenos movimentos dos olhos, posturas corporais, expressões faciais etc. Por isso, o hipnólogo desta linha permanece o tempo todo sintonizado no cliente, acompanhando suas reações.

Erickson resume o nascimento da hipnose ericksoniana no relato a seguir: “Eu tive um ataque de poliomielite com 17 anos de idade e fiquei de cama sem consciência do corpo. Eu não conseguia nem mesmo dizer em que posição estavam meus braços ou pés, passava horas tentando movimentá-los. Por isso comecei a prestar muita atenção ao menor movimento que eu fazia. Mais tarde, quando eu entrei na faculdade de medicina, eu aprendi a natureza dos músculos e usei-me deste conhecimento. Passei a perceber que os movimentos do corpo funcionam como uma indicação, uma forma de comunicação, basta decifrá-los. Assim, muito da nossa comunicação está em nossos movimentos corporais, não em nosso discurso. Eu descobri que eu posso reconhecer um bom pianista não pelos sons que tira do piano, mas pela maneira que seus dedos tocam nas teclas”.

Erickson e a PNL Quando Richard Bandler e John Grindler, no início dos anos 70, criaram a programação neurolinguistica, (PNL), basearam seus trabalhos principalmente em três terapeutas: Fritz Perls, Vírginia Satir e Milton H. Erickson. A PNL caracteriza-se pelo estudo do funcionamento da mente humana, permitindo a descoberta de nossas programações e o efeito que isso tem em nossa vida. O profissional que a utiliza, necessariamente conhece a hipnose Ericksoniana, com suas técnicas de relaxamento consciente, em que lembranças de pensamentos e sensações são capazes de induzir a estados hipnóticos. Nem sempre ele as emprega, mas muitas vezes pode fazê-lo.