Pessimismo, um realismo injusto

Há dois tipos de problemas que colhemos na vida: aqueles que plantamos e aqueles que foram plantados, contudo, ambos precisam ser resolvidos por nós mesmos.


Certa vez perguntei a um profissional da área do cinema brasileiro por que tantos filmes de nosso país continham apenas uma visão da realidade como se as pessoas fossem corruptas e só existisse pobreza e violência por aqui, ao que ele respondeu que não seria tido como intelectual ou de vanguarda se mostrassem aspectos positivos do Brasil ou de indivíduos. Após alguma reflexão concordei que muitos pensem assim, no entanto, ao perguntar-me sobre outras coisas que se ganha ao assim viver/fazer filmes, outras comuns posturas:

- Viver uma moral utilizada por si, onde o certo é buscar ajudar aos outros através das acusações de diferentes problemas, inclusive sociais.
Comentário: louvável preocupação, mas incomum.
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- Querer mudar o lugar onde vive, tornando o dia a dia mais confortável ou menos doloroso, mostrando onde estão os pontos a serem melhorados na sociedade.
Comentário: tende a ser mais freqüente que a anterior.
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- Violência vende, pois a violência satisfeita contra o outro, ocorrida na segurança de casa, é agradável, mesmo que seja apenas na televisão (não é à toa que filmes de artes marciais, guerra, boxe e afins, vendam tanto).
Comentário: bastante comum.

- Acreditar que quem seja capaz de ver o mundo como é, torna-se melhor, mais lúcido, mais sábio.
Comentário: vaidade comum de muitos intelectuais.

- Quanto maior o monstro que um indivíduo lutar, melhor herói ele será, assim, quanto mais monstrificado seu adversário, no caso, a sociedade, mais forte e emulável é.
Comentário: quanto maior o monstro que cada um enfrentar na sua vida, melhor se sentirá sobre si mesmo, vaidade de novo.

- Críticas, ou opiniões negativas mais precisamente, tendem a carregar algumas idéias: (a) "sou melhor do que quem critico", pois criticar a inteligência/ beleza de alguém é para quem é mais inteligente/ belo que o criticado, é menos envaidecedor criticar um pastor qualquer do que Jesus; (b) "sou poderoso/ capaz porque sou capaz de atacar grandes"; (c) violência satisfeita com um tom de justiça é agradável, não há culpa.
Comentário: fofocas e similares contêm, muitas vezes, essas finalidades.

- Quanto mais alguém viver num lugar ruim, mais contraste ganha em ser bom, menos responsabilidade por aspectos ruins da própria vida tem e, se for cristão, mais purificado será.
Comentários: é sedutor reclamar do que acontece sem sentir a responsabilidade de mudar a própria condição, uma comum causa e ganho de uma postura de vitimização.

Então, o filho que critica o pai, o aluno que critica o professor, o amigo que critica ao amigo e o empregado que critica o chefe: que ganham eles? As razões mais comuns da crítica não são a busca do crescimento do outro, mas sim as acima expostas. O que não significa que não valha rever a si quando criticado, até porque, quanto melhor a crítica, maior a possibilidade de melhoria de si.
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Fazendo uso essas idéias, pode-se dizer que o verdadeiro realismo advém de ver o que a vida é, nos seus aspectos bons e ruins, quem vir apenas um lado do viver, será injusto, principalmente consigo, por mais que se envaideça com a coisa.
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Portanto, se pessimismo for valorizar mais os aspectos negativos do que os positivos da vida, e se otimista for o oposto, o realista, mais sábio que os dois, valoriza a ambos aspectos nas suas merecidas intensidades e épocas.

Bayard Galvão

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